domingo, 26 de julho de 2009


Resposta ao Tempo
Nana Caymmi
Composição: Aldir Blanc/Cristovão Bastos

Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento
Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há fôlhas no meu coração
É o tempoRecordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Cansada!
Cansada do sol que pela manhã insiste em me fazer ser, estar, existir. Cansada de querer, de esperar, de criar. Estou cansada, cansada de falsos amores, falsos beijos, abraços vazios. Ah, hoje não, hoje estou cansada cansada demais para acreditar, para querer, para esperar. Quero deitar, e estou cansada de não achar o jeito certo de dormir e ter belos sonhos, ( onde estão os meus sonhos, será que o sol os espantou ?!) cansada, exausta. O meu melhor se um dia o tive só vento o conheceu, e agora estou levando o de volta a mim, somente a mim, só eu o terei , somente eu louvarei a mim, só eu mereço me ter.

A luz está acesa a espera de alguém , estou indo desligá-la.


Confissão

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto

terça-feira, 30 de junho de 2009


Meu saco de ilusões,
bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!

Como um cego,
grita a gente:
"Felicidade, onde estás?"
Ou vai-nos andando à frente...
Ou ficou lá para trás...

domingo, 14 de junho de 2009

Que merda de vida é essa a minha...!!!!

domingo, 31 de maio de 2009


"O coração, se pudesse pensar, pararia."


"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do
abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma
prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis,
porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao
que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao
que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até
mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e
canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que
me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro
dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se
não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."